Belo e perfeito… nome
Todos na aldeia a conheciam pela bizarra alcunha de “cabra”. Outros epítetos atribuíram-lhe ainda, mas menos usados, como: “velhaca” ou “ordinária”! O mais estranho é que já quase ninguém se lembrava do seu belo e perfeito nome: Maria Flor. Belo como o prado onde a mãe, vinte anos antes, a parira no meio de um rebanho de cabras castanhas e rebeldes. Perfeito porque era invulgarmente esbelta e formosa. Corpo curvilíneo, voz maviosa, olhos brilhantes de um azul vivo que até doía. Tudo nela se conjugava numa perfeição quase Divinal. As mulheres da aldeia, a maioria gordas e anafadas nas suas roupas negras e tristes, olhavam-na como uma permanente afronta às suas mui duvidosas felicidades conjugais, pois sabiam como a jovem adorava homens. Quaisquer que eles fossem. De sorriso sempre fresco e renovado qual madrugada primaveril, cada aldeão olhava-a com evidente apetite carnal. Também por causa eram frequentes os distúrbios na taberna. Para tudo há um início e Maria nasceu pobre, no meio do...