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A mostrar mensagens de dezembro, 2024

A barba mágica!

Resposta a este desafio   Assim que Artur, com pouco mais de três anos percebeu do poder que exibia perante os pais, passou a usá-lo sem dó nem piedade e fosse onde fosse. As birras que criava por querer aquele brinquedo ou simplesmente por teimar em ficar no baloiço mais uns minutos enquanto outras crianças esperavam que ele saísse, envergonhavam o pai Tomás e a mãe Marília. De tal maneira as cenas eram tão estremadas em frente dos pais que amiúde estes evitavam sair de casa. Entretanto no colégio Artur era tido como um menino bem comportado e educado. Nada de birras nem reacções adversas aceitando com humildade as ordens que recebia das educadoras. Os pais admiravam-se desta dupla postura e acabaram por recorrer a um pedopsiquiatra que explicou com muita teoria e alguns exemplos práticos que o filho era uma criança perfeitamente normal apenas procurava o seu espaço. Feitos os quatro anos a personalidade não mudou. Ou se mudou foi para pior. Aproximava-se a época do Natal e certo dia ...

Conversa pela noite dentro!

Resposta a este desafio   Horácio deu conta da porta da rua abrir-se ao mesmo tempo que o velho relógio de pé da entrada batia três badaladas. Admirou-se da hora tardia e confirmou com o velhíssimo relógio de pulso. - Ena tão tarde e eu ainda sem nada esgalhado… Que chatice! Passaram uns breves minutos quando escutou: - Boa noite pai, ainda a pé? - Boa noite filho… é tarde é… mas ando às voltas para escrever um conto de Natal e ainda não saiu uma palavra sequer! - Isso acontece não te maces. Deitas-te e amanhã escreves uma estória num ápice, logo pela fresquinha! Sorriu à confiança do filho no seu desembaraço, mas ousou contradizê-lo: - Isto do Natal já foi mais fácil escrever! - Então porquê? - Porque já se escreveu sobre tudo e mais alguma coisa nesta época. Desde o Dickens… O filho rodeou a secretária do pai, sentou-se do outro lado do móvel naquela velha e pesada cadeira de pau-santo e dispôs-se a ter aquela conversa. - Achas mesmo? - Ai rapaz detesto esses achismos que usas, mas p...

Rua das Viúvas

Quem se digna observar a aldeia do miradouro do Ninho consegue perceber um pequeno amontoado de casas muito juntas. No interior as ruas são estreitas, atapetadas de cubos graníticos e ladeadas de vetustas casas de pedra fria e robusta. Há muitos anos o povoado tinha muito mais almas. Hoje restam muitos idosos e poucas crianças. Sinais dos tempos, dizem na taberna cheia e malcheirosa onde a limpeza é uma raridade já que ninguém se rala nem exige asseio. Do tecto pende uma simples lâmpada que já alumiou melhor, não fossem as moscas e mosquitos que atraídos pela baça luz ficarem ali colados pelo calor. Cá fora alguns gostam de conversar animadamente enquanto no interior as costumadas e rivais equipas da bisca lambida jogam a traçadinhos até à bebedeira final. Os tempos de labuta são ora escassos. Um ou outro aldeão ainda ousa cultivar alguma horta, mas a maioria queixa-se das dores e não faz um rego, nem que seja para plantar uma singela couve. Pieguices masculinas afirmam as patroas na t...