Mensagens

A mostrar mensagens de agosto, 2024

O avô Sabino

A morte de alguém próximo é uma porta aberta para a descoberta dessa pessoa desfiada pelo pensamento dos outros! Foi isso que aprendi com a morte do meu avô Sabino! Morreu serenamente na sua cama após alguns dias de agonia. Partiu como de uma vela sem pavio se tratasse e finou-se lentamente. Foi um momento triste pela sua viagem final, mas ainda assim com a certeza de que partiu em paz. Consigo e com os outros (se um dia morrer quero que seja assim!). Levámo-lo para a aldeia onde sempre desejou ficar. Na enorme campa de família. No velório muita família, alguns amigos contemporâneos, outros mais antigos, muitos conhecidos, . Como é habitual cada um foi recordando o avô Sabino através de muitas estórias dele e com ele. Umas divertidas outras nem por isso todavia todas elas demonstrativas da vida do velho Sabino. No meio destes breves diálogos um primo que só revejo nestes tristes momentos confidenciou-me: - Sabias que o avô Sabino foi um homem fugido à justiça? - Estás a gozar… - A séri...

O fumador #2

Episódio 1 Municiado com diversas máscaras no bolso e tendo colocado duas na face, entrou decidido no vetusto prédio. De início não sentiu o cheiro, mas depressa as máscaras foram impotentes para tamanho pivete. Todavia era o seu trabalho. Nos diversos patamares foi encontrando agentes da polícia que o cumprimentaram quase enojados com o cheiro. Quando chegou ao segundo andar ficou à porta e recebeu o primeiro choque não evitando uma expressão mais forte: - Porra! O que é isto? O maior realce estava no chão completamente atapetado de beatas de cigarro há muito fumadas. Não se conseguia ver o soalho verdadeiro. Como o pé foi raspando até encontrar o fundo que exposto estava obviamente negro e queimado. Entrou devagar e o odor que mesmo com máscaras lhe chegava às narinas era quase insuportável. Uma passagem para uma sala sem porta, todavia reparou nas dobradiças ferrugentas e partidas. A sala parecia grande especialmente pelo aspecto minimalista. Encostado à parede do fundo uma velha te...

O fumador!

O monte de processos e demais papelada teimava em não desaparecer. Anos e casos a mais sem relatórios e, pior que tudo, sem arquivo. Agora Aquiles dera-lhe apenas uma semana para limpar a secretária… Com a condição de não ser chamado para nenhum caso. Apenas um trabalho das nove ás cinco da tarde que Valdemar olimpicamente detestava. Tocou o velho telefone algures na mesa, escondido sob arráteis de papéis. O aparelho calou-se. O inspector suspirou para logo a seguir: - Valdemar! – soou em toda a sala. O inspector ergueu-se por detrás de um monitor do tempo jurássico e respondeu: - Diga chefe! - Porque não atendes a porra do telefone? - Já lá ía… - Vem ao meu gabinete, rápido! O jovem inspector detestava aquele tom de voz e preparou-se para algo que certamente não iria gostar. Entrou no aquário de vidro e alumínio, fechou a porta devagar e aguardou: - Preciso de ti para um caso… - Mas o chef… - Eu sei, eu sei… mas este caso precisa de ti! - interrompeu. - Fónix Aquiles assim nunca mais ...