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A mostrar mensagens de dezembro, 2023

Quadras biográficas! #1

Nasci nu disseram-me Em terras de Lisboa Depois vestiram-me Umas vestes à toa.   Filho único nasci E assim fiquei eu. Jamais mano eu vi Nem com o mito Morfeu.   Aos seis anos era Caixa de óculos, sim! Uma alcunha bera Que eu sentia em mim.   Longe de aluno bom Triste noite e dia. Acordei assim ao som Da alma que sofria.   Mudei o meu vil rumo Para pobre poeta. Palavras sem aprumo De coração pateta.   Foi nas letras que senti O pulsar de mim mesmo Escrevi e escrevi Minhas dores a esmo.

Giz-barbeiro! #3

Resposta a  este desafio Parte 2 Após o demorado almoço decidi apresentar aos meus amigos os restantes animais! Já haviam conhecido as galinhas e os coelhos, mas faltavam aqueles com quem andava diariamente pelas charnecas e lameiros. Fomos a pé, todos be⁸m agasalhados que o frio por aqui não é para brincadeiras. Por vezes até neva! Estava ainda longe do curral a já escutava o balir triste das ovelhas todo o dia presas. Os borregos foram obviamente a sensação e os alvos preferidos das miúdas. Ficaram mais tristes quando lhes comuniquei qual o destino provável das crias. Mas eu também tinha de ter algum rendimento. A tarde tornou-se plúmbea por uns algodões celestiais vindo da serra. Comuniquei: - Não seria pior irmos para casa? Não tarda chove e está muito frio. Já entre paredes iniciámos a preparação da célebre consoada. Na horta a tardoz cortei algumas couves que trouxe para casa num braçado gigantesco. - Ai tanta couve... Mas vem cá mais gente? - perguntou Isabel num sorriso maroto....

Giz-barbeiro! #2

Resposta a  este desafio Parte 1 Naquela véspera de Natal levantei-me de madrugada, por volta das cinco e meia! No fundo fiz o que faço há diversos anos, já que o gado não dá férias nem um mero fim de semana ao seu tratador! Vesti a roupa perfumada de bedum e que sempre deixo em lugar fora de casa, peguei nas chaves dos cadeados do curral e entrei na madrugada ainda escura como bréu! Corria uma brisa gelada que me obrigou a aconchegar a roupa ao corpo ainda quente da cama. Desta vez não iria com as ovelhas em busca de erva gelada, mas encheria as manjedouras com muito feno seco e algumas malgas de favas! E ficariam o dia todo no curral. Aproveitei para ordenhar algumas mães para mais tarde entregar o tarro repleto na tia Celsa que me faria como ninguém uma série de maravilhosos queijos! O relógio da Matriz tocava oito badaladas no preciso momento que notei um anormal movimento de gente à frente do portão da minha austera casa. Não apressei o passo, mas naquela aparente família alguém m...

Giz-barbeiro!

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Resposta a  este desafio Por esta altura do ano, invariavelmente, o Joca (sei como ele detesta este tratamento agora que somos velhos!!!) telefona-me. Entre muitos temas que falamos há um que é recorrente. - Será este ano que leio um conto teu? - Tu és um bocadinho teimoso, não? - Serei? Talvez, mas nota que não teimo sozinho! - Deixa-te disso! Sabes bem que não compro essa ideia! Joca é jornalista e andámos juntos na escola durante diversos anos. Num desses períodos a professora de português, a Dona Elvira, uma santa e viúva senhora, lançou um concurso para as melhores composições sobre o Natal. O concurso acabou por ser alargado a toda a escola surgindo centenas de textos. A minha composição também foi a concurso, mas porque foi o Joca a inscrevê-la sem a minha prévia autorização. O resultado foi divulgado no último dia de aulas antes das férias de Natal e o premiado vencedor… fui eu! Desde esse dia o meu amigo passou a insistir para que escrevesse amiúde, coisa que jamais aconteceu,...

Os Felícios! #9

Resposta a   este convite  da Ana Episódio 1 Episódio 2 Episódio 3 Episódio 4 Episódio 5 Episódio 6 Episódio 7 Episódio 8 O Natal aproximava-se à velocidade de uma bota de sete léguas como rezava a antiga estória de Perrault!  Por isso Mário Felício e Maria Felícia andavam numa fona desde o início do mês de Dezembro com óbvias referências ao que gostariam de ter no Natal próximo. De vez em quando a menina mais nova escrevia no uotessape: Desculpem algum erro, mas este aparelho já deu o que tinha para dar... Tenho de ver se arranjo outro nem que seja em segunda mão (Maria Felícia sabia do pânico que a mãe tinha em comprar coisas em segunda mão!). Mário Felício pelo seu lado era mais subtil e respondia assim à irmã: Não sejas idiota... esse telemóvel terá pr'aí um ano. Se tivesse uma consola para jogos com cinco anos... ainda terias razão. Entretanto Felício e Felícia faziam-se de surdos e cegos não dando qualquer seguimento às conversas dos filhos. Na verdade pagavam da mesma moeda ...

Jantar fora!

Resposta a este desafio 1 – O convite! A igreja ampla e bem iluminada encheu-se naquele fim de tarde frio, para a costumada eucaristia vespertina. Por altura do Natal era frequente os fiéis aparecerem em maior número no templo. Um fenómeno estranho e ainda pouco entendido pelas autoridades eclesiásticas. O culto decorreu com a exigência do momento e do local, mas terminada a comunhão e antes da bênção final, o padre Fernando aproximou-se do microfone que um dos acólitos colocara à sua frente. Com deferência e cuidado ajeitou a estola e comunicou: - Esta terceira semana de Advento culminará com a bonita festa do Natal. Um momento de enorme entrega e partilha, quase sempre em família. Por isso pensei que seria, quiçá interessante, tomarmos a iniciativa nessa noite de Consoada deixarmos os nossos confortáveis lares e irmos jantar fora com os mais necessitados e que vivem permanentemente ao relento! Um burburinho percorreu a assistência. - Este convite é apenas para quem quiser e puder! A ...

Quadras do meu Natal!

Eis que bate o Natal À porta da esperança. Dizem que há festa e tal E dias de abastança.   Digam o que disserem O Natal é pequenino. Miúdos a brincarem Pais 'tadinhos sem tino.   Viva o Natal! gritam! Mas nas ruas há frio. Dos que não assustam Nem com mar nem o rio.   Viverei outra festa? Ninguém sabe responder Vou dormir uma sesta Até me saberem dizer.