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A mostrar mensagens de maio, 2023

Soneto II

Porque será escrever me dói tanto Sinto em sobressalto toda minh’ alma, Aquela dor lancinante de um pranto. Uma mágoa fria que jamais acalma.   Não sonho ser um rei ou um bom santo, Mas entoações nuas sem vivalma Falaram de um só amor que acalento, Preso na minha mão, na própria palma.   Porque dói esta dor assim tão triste Serei apenas um triste homem só A quem nada aguarda nem assiste.   Um dia serei pó não mais que pó Daquele que nem ao Suão resiste. Qual milho sob a roda duma mó.

Soneto!

Nota prévia: Nunca me passou pela cabeça algum dia escrever um soneto. Todavia sempre gostei desse género de poesia que Camões, Bocage e muitos outros poetas lusos dominaram com mestria. Mas enfim há sempre uma primeira vez para tudo. E assim aventurei-me a rabiscar umas palavras, criando um soneto. Não é perfeito, mas foi o primeiro! Entretanto um agradecimento devido à Maria João pelas (boas) dicas!   De que me serve sentir este amor Um bicho que repeles e devoras. Que sentido é este? Mero horror? Um sentimento vivido a desoras?   Nas palavras há um doente fervor De nos teus lábios ver rubras amoras Amar-te para sempre num ardor, Chorar penas apenas se me ignoras   Olhai bem para mim que quase morro De tanto amar sem nada receber. Ainda não entendo porque corro.   Talvez amor me deixes perceber Que estrada será esta donde escorro Para as trevas e enfim perecer.

Amor impossível!

Que amor é este que me consome As entranhas e me deixa tolhido. Um coração desmaiado de fome Um sonho entre tantos perdido   Que paixão é esta que já não sei, Viver sem ela, talvez nem com ela. Percorri caminhos por onde andei Em busca daquela flor, a mais bela.   Amar-te em silêncio dói demais Mas sabe bem sonhar-te assim. Escrever amor, ó aromas florais, Não sei apenas desfazer de mim.

Os Felícios! #2

Resposta a   este convite  da Ana Episódio 1 Foram todos à bola naquela tarde: Felícia, Felício, Maria Felícia e Mário Felício. Todos de telemóvel em punho. Só podiam! Passaram os primeiros seguranças mostrando os écrans! Entraram seguidamente no edifício, mas aqui foi necessário mostrar outra vez o equipamento onde estavam os bilhetes de entrada. Após diversas tentativas lá conseguiram todos passar as cancelas e principiaram a subir a extensa escada. Muitos adeptos aos gritos e a cantar enquanto escalavam andares. A família subia calmamente com os olhos pregados nos monitores do telemóvel. Finalmente no cimo respiraram fundo e penetraram na larga porta que daria acesso às bancadas. Mário Felício escreve entretanto no uotessape : vou à cb! Maria Felícia, a irmã: fazer? Mário: regar as flores, estúpida! Maria: imbecil! Felício entra na conversa: calem-se os dois faxavor e tu menino vai à cb! Felícia mais comedida escreve: ó homem deixa lá os miúdos! Procuram os lugares, sobem mais escad...

Hoje convido eu! #33

A Olga Cardoso Pinto do blogue A cor da escrita é uma escritora, pintora, ilustradora de mão cheia! Tudo o que sai daquelas mãos sai... perfeito. Nem imagino onde um dia irá parar esta minha amiga que em boa-hora conheci neste universo. Até o desafio que me propôs parece talhado por ela: começar de novo! Reconheço que não foi fácil esgalhar este texto. Mas imagino que muita gente se reveja neste naco de pobre prosa!   Sentado num enorme e confortável cadeirão Constantino aguardava pacientemente que o recebessem. No enorme corredor via pessoas de papéis na mão a deambular como se estivessem perdidos. Alguns entravam em gabinetes para logo os abandonarem. Muita gente, muitas velocidades, pouca eficácia. Entretanto a porta à sua frente abriu-se e Constantino percebeu que havia um acordo tal era o forte aperto de mão entre dois homens. De aparente bons fatos, camisas brancas e gravatas discretas iam agitando as mãos, sorrindo e dizendo: - Aguardo ansiosamente a sua resposta, Dr. Seixas! ...

Mal versejando

Fraco e triste poeta, eu Que nem versejar sabe. Doente e infeliz filisteu, Nem num coração cabe.   Em folhas alvas, virgens Descarrego a raiva do dia. Umas reles personagens Encharcadas de rebeldia.   Queria ser belo trovador De sonhos não sonhados Rimar amor com ardor. E saudades com fados.  

Hoje convido eu! #32

A Isabel Silva dos blogues pessoas e coisa da vida  e  livros que são amigos  tinha de ser também convidada para esta saga, como não podia deixar de ser. Tenho a este propósito de fazer uma introdução ligeiramente maior do habitual pois a Isabel (ela que me perdoe!) tornou-se numa amiga tão especial que quase a considero uma irmã. Conheci-a através deste caminho de escrita. Primeiro virtualmente, depois... olhos nos olhos. É uma mulher de coração enorme e repleto de beleza. Talvez por isso este texto faça sentido porque tem como base uma estória verdadeira e que se passou com o meu avô paterno.  A frase que me foi lançada neste desafio foi: A beleza está lá dentro... Longo este texto, ainda assim espero que apreciem!   Arribou ao cume da serra visivelmente extenuado. Após três pesadas léguas preenchidas por trilhos tortos, escuros e irregulares a requererem cuidado equilíbrio percebeu a sua aldeia num cacharolete de casas cinzentas e brancas. Um nevoeiro denso vindo do lado do longe ...

Hoje convido eu! #31

A  Luísa Faria  é uma das minhas assíduas leitoras. E comentadora também. Razões amplamente suficientes para lhe endereçar um convite para me desafiar.  Respondeu-me apresentando uma frase que gosta do diário mais célebre do Mundo: o de Anne Frank. Que diz simplesmente o seguinte:   Apesar de tudo eu ainda acredito na bondade humana! Sarilhos, pensei. E tinha razão. Este mote foi deveras difícil de esgalhar. Gostaria que tivesse ficado bem melhor porque a Luísa merece!   Sentada na paragem do autocarro Raquel aguardava a chegada do transporte para casa enquanto esgalhava frenética umas respostas no telemóvel. - Olá Raquel! Assustou-se, tão embrenhava estava no equipamento, para logo a seguir levantar-se e dar um abraço sincero na amiga: - Oi Carla… que bom. Faz tempo que não nos víamos… Senta-te aí! E afastou-se para que a jovem se sentasse. - Está tudo bem contigo? - Tudo fixolas - respondeu Raquel. A conversa foi-se desenrolando enquanto esperavam o autocarro. Era uma daquelas manhã...