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A mostrar mensagens de julho, 2021

Desafio de escrita dos pássaros #3.0 - Tema 7

Havia muito que a noite caíra sobre a cidade. Valdemar olhou o relógio e finalmente pôs-se a caminho do bar onde Arcizete fora vista pela última vez. Podia ser que o anão por lá aparecesse… Porém não o queria assustar com a sua presença. Percorreu o caminho longo sempre a pé deixando que o fresco da noite o animasse. Entrou no bar e dirigiu-se ao balcão. Aqui chegado percebeu a presença de três personagens atípicas ao local. O primeiro era um padre pois reparou no cabeção que sobressaía do pescoço do clérigo, o segundo parecia um apresentador de televisão, mas nem sabia se era mesmo ele e o terceiro era um homem completamente bêbado e que tentava negar olimpicamente o seu ébrio estado. Val foi abordado por umas das “drag” que serviam bebidas e pediu uma cerveja. Para logo a seguir ser abordado pela outra empregada de balcão: - Por cá outra vez inspector? - Boa noite… é verdade! - Espero que não seja uma rusga… - Oh não… para isso serve o meu colega Arcílio… - O gordo? Valdemar ergueu o...

Fado!

Há um fado só e triste no meu coração Que não sabe cantar as minhas dores Foge e esvai-se por entre a minha mão, Como água fria entre sonhos e amores.     Há um fado só e triste na minha vida Que deseja ser força, amor e canção. Dor pra ser cantada, chorada, sofrida. Num fado tangido por uma emoção.   Há um fado nos meus lábios a bailar Conta histórias de amores perdidos. Não sei o que ele quererá ora falar, Talvez um assomo de olhos sofridos.   Há um fado há, neste tempo triste, Contam-me que sou o poeta da dor. Porque escrevo assim, tu já me viste, A escrever, a ler e a chorar por amor!

Desafio de escrita dos pássaros #3.0 - Tema 6

Acordou estremunhado e quase doente. Na boca um sabor horrível a fel e a cabeça doía-lhe valentemente. A noite fora horrível. Primeiro pelas insónias e mais tarde pelos pesadelos. Fora uma noite de sobe e desce de emoções, sonhos e demais imbecilidades, que o haviam deixado daquela forma… aturdido e sem reacção. Tentou lembrar-se ao pormenor do que sonhara, mas só lhe vinha à ideia a imagem do Bill Gates envolvido com a tal de Xana Toc Toc, que acompanhada dos seus polichinelos haviam inventado uma qualquer teoria de conspiração contra uma empresa de industria alimentar. Uma confusão diabólica… um sem números de factos sem qualquer lógica e sentido. Disparates completos. Val sentou-se na beira da cama, passou as mãos pelo cabelo desalinhado, olhou a cómoda onde residia parte do processo da morte de Arcizete e suspirou. Um crime que lhe tomava o tempo, o sono, a vida… e sem qualquer contrapartida que se visse. Ergueu-se do leito disposto a pegar mais uma vez no caso. Já havia perdido o ...

Desafio de escrita dos pássaros #3.0 - Tema 5

Mote: "Um anão marca um encontro com uma bodybuilder, no tinder, Descreve o encontro."  Valdemar não dormia descansado havia algumas semanas. Tudo por causa do crime da Arcizete que ele ainda não conseguira avançar. O próprio chefe assumira já que “ não valia a pena perder mais tempo com esse crime…” Mas para o jovem e irreverente agente aquela assumpção seria sinónimo de assumir a derrota na investigação, algo que nunca lhe acontecera. Daí as insónias. Faltava-lhe, todavia, ainda um local para investigar. Se bem que aceitasse a opção de cada um, o seu estatuto marialva sobrepunha-se à função de investigador e recusava visitar os bares alternativos. Mas provavelmente estaria lá a resolução do misterioso crime. Certa noite, cansado de papéis e relatórios acabou por procurar esses bares. Conhecia alguns do tempo da brigada de Costumes e deste modo dirigiu-se a diversos. Foi entrando e saindo sem nada encontrar até que entrou num que lhe pareceu ser recente. A música enchia a sa...

No meu jardim

Para ti Zé  No pobre jardim, que é a minha vida Tu eras a flor, mais alegre, viçosa. Entre tantas que por ali floriram Foste sempre a pétala, Mais brilhante.   Hoje és a saudade, A lágrima tombada, A tristeza de te ver Ora partir. Foste a certeza Duma amizade. Refém da pureza, Presa no coração.   Partiste cedo demais Pois que a hora foi estranha, incerta. Vai, vai companheiro Abraça a barca, De uma paz merecida. Um sono eterno, brando, mas atento.   Oh, quanto de mim, Chorará… para sempre.