Mensagens

A mostrar mensagens de fevereiro, 2021

Passeio pela aldeia!

Imagem
Encostado a um enorme penedo quase todo tapado de um musgo verde e viçoso, Júlio apoiou ambas as mãos no puído e negro bordão e serenamente olhou em seu redor enquanto aguardava. Como se de repente se fizesse luz no seu espírito toda aquela paisagem passou a fazer sentido. Sorriu e o sorriso foi apreciado pela jovem que acabara de chegar. - Bom dia avô. Estás a rir de quê ou de quem? - Bom dia minha querida Marta, dá cá primeiro uma beijoca a este velhote… Encostou-se a ela e a neta pespegou-lhe um beijo sonoro. - Avô… cheiras sempre bem! O velho voltou a rir. A neta insistiu: - Mas conta lá de que estavas a rir há pouco? - Tantas vezes que aqui parei, que aqui matutei como resolver problemas e nunca, mas nunca tinha reparado nesta beleza… Com o bordão apontou da direita à esquerda. Do horizonte. - És um romântico… - Desculpa não tem nada a ver com romantismo… bem pelo contrário… realismo! Endireitou-se e aproximando-se da parede de pedra cinzenta devolve à neta: - Em que lugar tu pode...

Gratidão

Obrigado, pai e mãe Por me fazerem nascer.   Obrigado, mulher e companheira Por caminhares sempre a meu lado.   Obrigado, meus filhos Por escutarem as minhas palavras.   Obrigado, meus amigos Por me secarem as lágrimas.   Obrigado, aos que me lêem Por só assim vale a pena escrever.   Obrigado, a quem me detesta, Porque assim sei que existo.   Obrigado, meu Deus Por me indicares o caminho!

A cor laranja

Sabes que cor tinham as contas que usavas Naquele estranho encontro no alfarrabista onde comprámos romances apaixonantes?   Lembras-te de que cor era aquele pôr do sol quando, pela primeira vez, os nossos lábios, conheceram o gosto inesquecível do amor?   Recordas-te de que cor era o teu belo vestido, Que estreaste numa branda tarde, quase noite, Em que ambos provámos o néctar da paixão?   Tens ideia de que cor era a doce madrugada Em que acordámos juntos, nus e tão felizes E olhando pela janela, sorrimos de encanto?   Olha amor, tens agora na tua enferma mão, Mesmo nesta que já não mexe, nem aceita Uma encantadora laranja. Sim a nossa cor!   Texto escrito no âmbito do desafio da "caixa de lápis de cor" da   Fátima ,. Entram também a  Concha,  a  A 3ª Face , a  Maria Araújo , a  Peixe Frito , a  Imsilva , a  Luísa De Sousa , a  Maria,  a  Ana D ., a  Célia , a  Charneca Em Flor ,  a  Gorduchita , a  Miss Lollipop , a  Ana Mestre  a  Ana de Deus , a  Cristina Aveiro , a  bii y...

Azul Cobalto!

Havia alguns dias que Nuno percebia no filho uma certa melancolia, nada apanágio do jovem. De vez em quando perguntava propositadamente despreocupado: - Passa-se alguma coisa contigo? Pareces amorfo... Ao que Artur respondia sempre: - Não pai… está tudo bem! Mas o ar pesado e triste do jovem não deixava o pai crer nas palavras do filho. De vez em quando era a mãe que esfregando com doçura a farta cabeleira de Artur, o questionava: - Então rapaz como está a escola? - Mãe… pareces o pai… sempre a fazer perguntas. - Peço desculpa, mas coração de mãe sente que algo em ti não está bem… ou estarei enganada? - Estás enganada… Posso acabar de estudar? - Pronto, pronto, desculpa! Um dia já noite bem metida Nuno acaba por perguntar a Catarina: - Acreditas nele? - Hummm! Não sei… Sinto que há nele algo que o atormenta… disso posso quase jurar. Mas não imagino o que será… - Começo a ficar preocupado… Tem 13 anos… uma idade claramente difícil… - Pois Nuno, mas o teu filho sabe bem o caminho dele! A...

Só mais um... desafio da Ana

Mote:  era uma vez uma princesa tão gorda que só ocupava espaço . O rei não era grande exemplo pois era tão gordo como a sua filha mais velha, ao invés da rainha que parecia uma radiografia: de frente parecia estar de lado e de lado não se via. A princesa, por isso, andava muito triste… Um dia apareceu no ancião castelo um jovem esbelto e robusto. Pediu uma audiência ao rei que foi obviamente recusada. Até que ele disse: venho tratar da princesa… aquela que rebola! Foi logo recebido pelo monarca que desconfiou do plebeu. Todavia deu-lhe hipótese de se explicar. Após as explicações o rei concordou com o tratamento e mandou chamar a princesa. Esta rebolou até à sala do trono e perante o rei: - Que quereis de mim, meu pai e senhor? - Eis o homem que irá resolver o teu problema dessa gordura. - Não tem solução – e começou a chorar. Entrou o jovem em cena que declarou: - Princesa… sei como resolver o seu problema. Mas terá de confiar em mim. Sempre. Asseguro-lhe que emagrece. A princesa olh...

Amor e dor

Amei-te, Sonhei-te, Desejei-te, Afaguei-te, Sussurrei-te, Idolatrei-te, Acariciei-te.   E tu?   Julgaste-me, Feriste-me, Humilhaste-me, Varreste-me.   Será isto amar?

O Inverno em mim

Há quanto tempo, sol Que não te deixas ver? Uma invernia daquelas, Chuva A surgir diariamente.   Há quanto tempo, Amor Não vês as minhas mãos? Uma tristeza imensa, Dor A corroer por dentro.   Há quanto tempo, Vida Não alegras meu coração? Uma bravata vincada, Guerra A lutar comigo.

Verde campestre!

Sentado no peal da porta Jacinto desenha na lama da estrada riscos indecifráveis. A seu lado o ti’Leandro segura o chapéu de chuva como se fosse uma bengala. Permanecem em silêncio. Para no instante seguinte o Jacinto perguntar: - Alguma vês viste as terras como este ano? - Que têm? - Estão verdes. Verdes, verdes! - É desta chuva que não pára. - Sabes… gosto de ver as terras assim… Já tinha saudades… - Encharcadas? - Sim, mas férteis… também! - E daqui a um par de meses tens aí o verde da azeitona… - ‘Inda é cedo! Nem há chora… - O tempo passa depressa… Calaram-se ambos! Passou entretanto um miúdo de bicicleta que desceu a rua demasiado depressa. Ao fundo não consegue travar e entra na terra e na lama. Sobe depois a rua, triste, carregando a “bicla” à mão. A sua roupa tem agora um tom verde… da erva que o recebeu e amparou na queda. Passa pelos idosos tenta sorrir, mas eles devolvem: - Estás todo pintado de verde… - Foi da erva… escorreguei ali… - e apontou com a cabeça, como se eles n...

Saudades tuas!

Revi-te hoje… tão, tão ao longe. Esse sorriso matreiro, inocente Agora que pareço um monge… Não esqueço esse riso quente.   Tenho saudades, muitas, tantas De se sentir encostada a mim Sei que te enrolas em mantas Numa brincadeira sem fim.   Quanto tempo decorrerá ainda Até te receber nos meus braços? Sei que a minha vida não finda, Até voltar a receber teus abraços.   És o meu incalculável tesouro Que quero para sempre resguardar Não há sarraceno nem mouro, Que eu não te consiga guardar!

Preto!

Resposta à Fátima Bento ! Dizem-me que definitivamente o preto não é cor, mas a ausência de cores.  O preto pode ser então dor de um luto carregado ou tristeza de fome atroz. Acenei entretanto a bandeira preta à espera de acordar a realidade. Responderam-me com bastões também pretos a simbolizar a arrogância. Depois houve aquela noite… de preto vestida e onde os loiros dos teus cabelos cairam alinhados. Um sonho… tão bem sonhado. Olho agora as mãos pretas do lixo que apanho para enganar aquele rato preto que quase me esventra. Há muito que não vêm água. Demasiado preto na minha vida, sopram-me ao ouvido! Também não quero saber… Mas se não é mesmo uma cor, deixa-me então iluminar o preto da escuridão com a luz das minhas pobres e singelas palavras… Participam neste exercício de escrita:  a Fátima ,  Concha,  a  A 3ª Face , a  Maria Araújo , a  Peixe Frito , a  Imsilva , a  Luísa De Sousa , a  Maria,  a  Ana D ., a  Célia , a  Charneca Em Flor ,  a  Gorduchita,  a  Miss Lollipop , a  Ana...

Desenhar com palavras!

Resposta a este desafio da Ana Tens um olhar firme, decidido, daqueles que não engana. Nem se verga! Apanhaste o cabelo numa trança mal-alinhavada e deixaste que alguns cabelos tombassem de lado. Posso imaginar na ausência alva um sorriso ou uma dúvida nessa face sem cor. Tivesses máscara cirúrgica… A testa alta denuncia inteligência, as sobrancelhas tenacidade. Falta o nariz que poderia ser aquilino ou quiçá helénico. Mas também adunco… Nada retiraria a beleza desse olhar. Longínquo. Penetrante. Sagaz. Feminina!