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A mostrar mensagens de outubro, 2020

O Pastor #14

Regressado à charneca mais as suas companheiras e o fiel Sapatos, o pastor procurava por entre muros e paredes de pedra mal seguras o livro perdido. Mas fora há tanto tempo que provavelmente o vento e a chuva dos últimos dias haviam estragado o livro. Ainda assim os olhos atentos do jovem não deixavam uma pedra ou um buraco sem fiscalização. Andou por lá como de costume dias e dias até que decidiu regressar a casa. Devagar, não fosse escapar algum buraco. Para evitar fugas espontâneas peou as cabritas irrequietas e caminhou descansado. Perto de onde estivera sentado a ler as primeiras páginas o pastor reparou ao longe num saco de serapilheira, algo que não estava quando passou vindo da aldeia. Achou estranho o saco e calculou que fosse algum farnel ali esquecido por um outro viajante. Aproximou-se e deixando que a curiosidade o comandasse abriu o saco e espreitou. Espantado meteu a mão e retirou de lá o livro que perdera. Espantado olhou em seu redor à espera de encontrar alguém. Depoi...

Desafio das sete palavras

Eis infra a resposta ao desafio das s ete palavras da Ana .   Se eu acreditar em você Não pense que me rebaixo Estou inteiro à sua mercê É sob o amor que me baixo   A leptologia da minha vida Não carece de mero desarme . Será apenas uma molar saída Para a esperança ser enorme..   Cerram-se as noites negras Numa estopada aos dias corridos No meu destino não há regras. Nem desejos de tempos idos.   Falta-me um novo verbo Para encher a minha alma Quiçá luz, sonho ou garbo Me traga finalmente a calma.

Ternuras!

Olho-me ao espelho enquanto te tento adormecer. Recuo tantos anos que já esqueci as tristezas de outrora. Porque te tenho agora frágil, dependente. Sei reconhecer Que te sinto no meu coração sem marcação de hora.   Acaricio-te os cabelos áinda tão ralos e tão finos Tu aninhas-te no meu ombro e soltas sempre feliz, Uma gargalhada que enche o peito. São os sinos Estridentes de amor de alguém por uma petiz.   Quem me diria que amar tambem pode ser Deixar amachucar a cara, os lábios, a face Por umas mãos tão pequenas. Sei-me oferecer Sem medo, nem temor a ela, sei que merece.   Sorrio agora do meu passado amargurado e triste Pois jamais acreditei ou imaginei sonhar assim. Feito de outras alegrias e entregas. Quem assiste Ri-se com admiração pois vê como sou feliz enfim.