A cor e a dor
Vou brunindo esta minha alma Com pedaços de bela memória. Eram dias luminosos, de calma Alegrias sem fim, horas de glória. Folheio agora páginas de vida, Bizantinas sinto-as finalmente. Porque ora o dia é uma ferida De uma primavera sem gente. De que cor são as minhas lágrimas, Que sempre deveria ter vertido? Seriam pérolas de Brel, dramas, Orvalhos matinais caídos sem ruído. Há neste sentimento uma certeza, De surdos gritos, suspiros e dores. Sei, nesta hora de doentia tristeza, Que é momento de colher as flores.