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A mostrar mensagens de setembro, 2018

Contos tontos - 32

Sentada à secretária com o portátil, Bárbara disparava mensagens por correio electrónico para todo o lado. Depois esperava algumas respostas que voltava a devolver com actualizações. Frenética e imperturbável despachava serviço à velocidade da luz. As mensagens continuavam a cair e ela a responder… até que leu aquela. “Sei que estás muito ocupada mas tens de comer não tens? Pago eu… Fico à espera!” Viu o remetente mas não conheceu. - Engano… - suspirou. Depois pensou no que haveria de fazer. Responder ou enviar a mensagem para o lixo? Sorriu interiormente e optou por responder: “Adoraria jantar!” E seguiu assim sem mais. O nome encontraria ele no endereço. Aguardou. Novo mail. “Sou um idiota. Convidei-a e nem me apresentei. Sou o Renato. E a que horas? Fico à espera.” A devolução. “Sou a Bárbara e às oito estarei pronta.” Ficou a aguardar resposta provavelmente com um pedido de morada. A mensagem não chegou e ela continuou a despachar serviço. Por fim… “Quer que a vá buscar a essa mora...

Contos tontos - 31

Ele era um homem normal sem nenhuma característica que chamasse à atenção. Nem alto nem baixo, sem beleza superlativa, aparentava uma meia idade benéfica. Ela era jovem, bonita, espampanante. Vestia-se sempre com pouca roupa o que levava a ser alvo dos olhares gulosos dos homens e raivosos das mulheres. Entretanto a pastelaria “Flor da Avenida” era conhecida pelos seus saborosos croissants e pelo pão constantemente quente. Daí as manhãs serem assaz atarefadas. Era costume ele comer o seu pão sentado à mesa acompanhado de galão quente e sempre, sempre com um livro onde embrenhava o seu pensamento. Daí jamais reparar no que se passava ao seu redor. Talvez por isso nunca havia reparado na jovem. Quando ela entrou naquela manhã, todas as mesas estavam ocupadas. O único lugar vago era mesmo à frente dele. Delicadamente perguntou: - Bom dia, este lugar está ocupado? Ele como que acordado de um sonho levantou os olhos para ela e demorou a responder. Finalmente: - Bom dia, não está não. Pode u...

Conto tontos - 30

Esmeraldo entrou na taberna suja e escura do Carlos e sentou-se no local mais negro. Pelo caminho foi cumprimentando os presentes e dando algumas respostas: - B’tarde pessoal! - B’tarde Aldo – respondeu o compadre Joaquim enquanto batia com uma carta na mesa de pedra ganhando a vaza. - Isso vai? – questionou o Adolfo, mais conhecido pelo Viramilho. - Que remédio. Tem de ir – respondeu o recém-chegado. Depois. - Um traçadinho ó Carlitos! - Branco ou tinto? - Branquinho, que não gosto nada de sujar o estômago. Veio o vinho para a mesa e Esmeraldo beberricou um dedal e encostou a cabeça à mão. A sala pequena, mal iluminada e a tresandar a vinho era agora palco de uma pequena zaragata assente em palavras por causa das cartas. - Porque não vens ao trunfo, caneco? – questionava um enfurecido - Porque estou seco, porra...– respondia o parceiro. Entretanto um deles olha para Esmeraldo vê a tristeza estampada no rosto e pergunta-lhe: - Ei homem, que se passa contigo? O outro não ligou. Voava co...

Contos tontos - 29

Fechou a porta devagar, não fosse algum vizinho acordar, guardou as chaves e olhou o relógio. - Cinco e meia… Ai que já perdi o autocarro. A madrugada estava fria. Os candeeiros de rua alumiavam o caminho em cones amarelos. Assim que dobrou a esquina que dava para a enorme praça viu o autocarro parado. Apressou o passo tanto quanto os seus setenta anos, as pernas gordas e cobertas de v«grossas varizes a deixavam. Já para não falar dos dois sacos pesados que carregava no fim de cada braço. Chegou à porta do transporte ofegante. - Bom dia André. Desculpa este atraso… - Bom dia D. Alzira. Não há problema. Agora sente-se que preciso sair. André era um jovem motorista, nascido na cidade de Praia em Cabo Verde e que preferia fazer sempre o turno da madrugada. Pôs o autocarro a trabalhar, fechou as portas e seguiu viagem. Duzentos metros à frente voltou a parar. Desta vez entrou mais gente. - Bom dia D. Alxira – cumprimentavam uns. - Bom dia, bom dia – respondia a senhora. Ao fim de quatro pa...