Contos Tontos - 28
Sentada no velho cadeirão, percorria as paredes repletas de quadros e relógios tentando esconder o olhar nalgum objecto ou lembrança. A sua relação com ele nunca fora assim algo de fantástico. E nos últimos tempos dir-se-ia que era deveras truculenta sem felicidade nem alegria. Restavam, todavia, algumas memórias. Poucas… A nova surgira no telemóvel de forma fria, mesmo telegráfica. Nem reconhecera o número. Tentara devolver a mensagem com uma chamada mas ninguém atendera. Sempre tivera a mania de ter solução para tudo. Olvidara, no entanto, qualquer coisa. Ergueu-se e percorreu a casa sem destino incapaz de conseguir lidar com a situação tentando não chorar. O velho relógio na cozinha bateu duas vezes e ela deu então conta que os filhos estariam a chegar da escola. Ela que nunca tivera fé, que jamais acreditara em qualquer divindade que fosse, percebia agora a falta que lhe fazia uma crença. A mãe bem que tentara que a filha seguisse outro caminho, mas ela sempre considerara a relação...