O Pai Natal
Assim que percebeu pelas frinchas o primeiro raio de sol, saiu do seu costumado buraco. Estava frio, muito frio. Os velhos e surrados cobertores ou o que restava deles e que usava para se tapar, eram claramente insuficientes para as noites gélidas da cidade. Havia alguns anos que dormia na rua. Não imaginava quantos, pois os dias passavam por si como os parasitas que lhe cobriam o corpo sujo. Nem se recordava da última vez que tomara banho. À noite era costume aparecerem umas pessoas que distribuíam comida e agasalhos e até medicamentos, quando se justificava. Mas ele nessa altura fugia sempre para longe onde ninguém o visse. Assim que partiam regressava ao seu nicho. Durante muitos anos ele fora o grande mestre, o senhor de todos os conhecimentos e por isso respeitado. Depois, um dia passou de imprescindível a supérfluo. Despedido e sem coragem para voltar para casa refugiou-se, nesse fim de tarde, na bebida e mais tarde num vão de um prédio semi abandonado. Ele e outros! Arrumou o ca...