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A mostrar mensagens de outubro, 2016

Contos Tontos - 23

Caía uma chuva miúda, quase pó! A luz mortiça dos candeeiros deixava antever traços finos e oblíquos de água fria. Alcina refugiou-se debaixo do toldo de uma velha loja de ferragens, fechada havia muitos anos. A noite não estava convidativa mas havia sempre quem estivesse disposto a comprar felicidade e prazer. Tal como o antigo patrão que a iniciara naquela vida… Uma vida perdida ou talvez não. Doutra forma estaria, aos 36 anos, rodeada de um rancho de filhos que tinha de sustentar, um marido bêbado para aturar, o gado para tratar e as terras para amanhar. Parou um carro. Saiu da cobertura, aproximou-se da janela que desceu lentamente. Entre sorrisos, disparou um costumado cumprimento: - Boa noite, sortudo… - Sortudo? - Sim! Vejo que queres companhia. E estou aqui para te ajudar… As frases eram invariavelmente as mesmas, proferidas naquele tom meloso de provocação libidinosa. Afastou-se do carro um pouco para que a apreciasse. O condutor não gostou do que viu e sem nada dizer, arranco...