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A mostrar mensagens de julho, 2016

Contos tontos - 20

A questão abriu as hostilidades de forma brutal. - Como posso emendar este erro? Diga-me como? O padre acabara de receber em confissão, uma notícia que o deixara prostrado. Devagar sacudiu uma pequena partícula branca que sobressaía da batina enquanto procurava na sua mente as palavras para uma resposta. Passou a mão pelo cabelo alvo e ajeitou um cruxifixo de madeira que carregava ao pescoço. Por fim adiantou: - Esse erro jamais poderá ser emendado! E o meu irmão sabe isso… A fraternidade a que apelava o padre não carregava do mesmo sentido que aquela em que vivera mais de vinte anos. Todavia aceitou a irmandade mas não a resposta: - Já vivi demasiado tempo para perceber que há muita coisa que posso fazer para me remir do meu erro. Não me venha dizer que nada há que se possa fazer? A igreja estava em silêncio. A porta principal estava aberta e poderia dar acesso a outros crentes, mas estes eram cada vez em menor número e assim o perigo de alguém ouvir a conversa parecia ser nulo. A éti...

Contos tontos - 19

Ajeitou a gravata quando pressentiu que a porta se preparava para ser aberta. Um homem corpulento, de tez pálida penetrou na sala estendendo a mão para a visita. Não obstante o aspecto volumoso parecia afável. - Engenheiro Daniel Messias? Como está? – Cumprimentou. A visita retribuiu: - Muito bem, obrigado! Mas trate-me só pelo meu nome, se fizer favor. O anfitrião sorriu com a franqueza e acrescentou: - Claro. Faça o fineza de se sentar. E continuou: - Veio responder ao anúncio? - Exactamente! - Como compreende há uma série de questões que gostaria de ver esclarecidas… - Com todo o gosto! O entrevistador recostou-se na cadeira e desbobinou um ror de perguntas. Ao fim de quase uma hora declarou: - Creio que preenche todos os nossos requisitos. Sabe do negócio, tem ideias precisas do que necessitamos… Isso é muito bom! Já agora posso só colocar uma questão do foro mais pessoal? - Obviamente… - Quais são neste momento os seus sonhos, os seus desejos? Resposta contínua: - Não tenho sonhos...

Contos tontos - 18

Mirou-se ao espelho e gostou do que viu. Estava completamente nua e assim pode com calma autoavaliar-se: o cabelo longo cor de avelã tapava-lhe quase todas as costas, a face parecia ter sido esculpida por um mestre renascentista, os olhos cor de azeitona pouco madura. Descendo pode apreciar o pescoço pequeno. O peito saliente e firme destacava-se no corpo bronzeado. Finalmente um mui singelo traço de pêlos púbicos que terminava na zona mais íntima. Passou a mão pelo ventre magro e sorriu ao mesmo tempo que imaginava quantas das suas amigas adorariam ter a sua beleza e formosura. Sentia-se perfeita! Era sexta feira e a noite aproximava-se cálida e acolhedora. Os ingredientes perfeitos para a festa. Rodou nos calcanhares e pegou no telemóvel. Nenhuma mensagem. Olhou as horas e achou que realmente ainda era muito cedo. Decidiu vestir-se informalmente e comer qualquer coisa antes de sair. Por fim um toque de mensagem alertou-a para alguma novidade. Correu para o aparelho desbloqueou-o e le...