Perfume de Natal
O telefone de secretária com demasiados botões tocou. Ataíde foi repentinamente despertado da concentração que depositava nuns documentos, ergueu o olhar e carregou no botão de alta-voz: - Diga Lucinda… - Senhor engenheiro… são sete horas, é véspera de Natal e ainda tenho de ir fazer o jantar de consoada… O patrão percebeu e avançou: - Desculpe por a ter demorado tanto. Está dispensada… Até depois de amanhã! Um silêncio profundo foi-lhe devolvido. Por fim chamou: - Lucinda! - Estou aqui senhor engenheiro. - Ainda está aí? Vá-se embora… e… Feliz Natal! - Obrigado senhor engenheiro. Um Santo Natal também para o senhor! A chamada interna desligou-se e Ataíde pode regressar à leitura. Porém a interrupção tirara-lhe o foco nos papéis e percebeu que era tempo de fechar o escritório. Reviu os mails e acabou por desligar o portátil. Depois pegou na mala preta, encheu-a de documentação, apagou a luz e saiu. O trânsito àquela noite tendia a diminuir. Alguns retardatários corriam para casa onde a...