Contos tontos! - 11
O público ia-se sentando no enorme anfiteatro. As duas filas da frente estavam reservadas para as personagens ilustres. Todavia ainda era demasiado cedo para chegarem. A verdade é que a sua última lição estava marcada somente para as dez horas. Sentado atrás duma secretária que simpaticamente haviam colocado naquela espécie de palco, revia alguns rasbicos que havia escrito na noite anterior. Só que aquilo parecia um texto forçado, pouco adaptado ao seu último dia como professor. Ninguém esperaria dele uma lição onde desenvolvesse teorias para a cura desta ou daquela doença. Pretendiam, isso sim, um testemunho de vida, uma visão de alguém que fora uma referência no mundo médico. Os convidados continuavam a chegar. Alguns ao vê-lo já sentado esboçavam um aceno, que ele devolvia com um mero sorriso. A sala estava agora quase cheia. Olhou o relógio, um Patek Phillipe que comprara em Zurique e que lhe custara uma pequena fortuna, e preparou-se para a lição final. Sentiu-se pela primeira vez...