Mensagens

A mostrar mensagens de maio, 2015

Contos tontos! - 3

Preparara tudo sem ela saber. Comemorava nesse dia mais um aniversário de casamento. Ela, todavia, andava demasiado ocupada e preocupada para se lembrar da data. Ele pelo contrário... Após uma depressão ainda mal debelada tinha todo o tempo do mundo. Os filhos nunca haviam surgido. Nem nunca procuraram as razões para tal falta. Tocou o telemóvel. Ele atendeu: - Diz amor! - Não vou jantar - declarou secamente. - Como não vens jantar? Tenho tudo preparado. - Desculpa mas não posso ir. O novo projecto tem de ser entregue até à meia noite. Poisou o telefone. Não era a primeira vez que ela não vinha a horas de jantar. Desligou tudo e sem comer saiu porta fora. Necessitava apanhar ar. Pegou no carro e foi conduzindo devagar sem destino. Ao fim de uma hora deu-lhe a fome. Parou o carro e procurou um restaurante. A rua estava movimentada. Sem saber como, fora parar aquele lugar de enorme afluência. Como gostava de peixe, tal como ela, procurou um local onde o peixe fosse o rei. De súbito apalp...

Contos tontos! - 2

O carro seguia dentro dos limites, na auto-estrada. Ele conduzia e pensava, ela dormia profundamente. O alcatrão negro desenrolava-se à frente tal qual um manto. E a viatura consumia quilómetros. Entretanto o espírito dele viajou para um passado tão longínquo que quase não acreditou que tivesse existido. As festas, as brincadeiras, as amigas e os amigos, as partidas aos colegas... Esboçou um mero sorriso ao lembrar-se! Olhou para o lado, onde ela dormia. Vinda também do seu passado notou-lhe então os rasgos cravados na face, o pescoço quase flácido, os cabelos de cor cinza. Mas ainda era bonita... E como ele a amava... Quanto tempo passara desde a última vez que ele lhe sussurara a palavra mágica. Perdera o conto. Umas vezes por isto, outras por aquilo, acabaram por se afastar! De súbito ele falou em tom sonoro: - Amo-te! Acordada subitamente pela palavra, perguntou: - Disseste alguma coisa? - Eu? Eu não... Devias ser tu a sonhar!

Contos tontos!

Foram anos e anos a procurar a mulher. Sempre ocupada, indisponível, ausente... Até que um dia ele cansou-se. Procurou então noutras alcofas a forma de matar o desejo. Até que ela descobriu. Mas a partir desse dia passou a estar disponível e pronta para aceitar o marido. Tarde demais! Ele perdera para sempre o desejo daquela mulher. E ela perdera a hipótese de ser finalmente amada.