Contos Breves - O sonho de Manuel Ganha-Nada - XXXIX
A primeira coisa que se lembrava da sua infância era a mãe, demasiado obesa para poder correr atrás dos filhos, a ralhar com um vozeirão que se ouvia na aldeia inteira. Manuel cresceu no meio de muitos irmãos, nem ele sabia ao certo quantos! Uns já haviam morrido, outros fugiram para tão longe que jamais os viu. Poucos foram os que ficaram. A fome que diariamente o atormentava obrigou-o a buscar sustento noutro lado que não em casa. Por isso cedo começou a trabalhar para quem lhe pagasse. Todavia a maior parte das vezes só lhe pagavam com refeições que acabava por agradecer. Continuava pobre mas sem fome… Já homem enamorou-se por uma jovem da aldeia de nome Lurdes e rapidamente passou a viver com a aldeã numa velha casa que o sogro lhes cedera a título de empréstimo. O barraco havia sido um velho curral de telha vã e caibros quase podres. Mas com perícia e tenacidade Manuel foi remendando o lar, dando-lhe o ar mais humano e claramente mais confortável. O jovem trabalhava de sol a so...