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A mostrar mensagens de março, 2013

Poema para um dia cinzento

Chove. Nas ruas lamacentas caí tanta vez. A terra negra ou clara invade-me Como vírus peçonhento.   Chove. Nas margens duma ribeira Morrem afogadas as ervas Verdes de tanta raiva.   Chove. O som da bátega de água Enche-me o coração de melancolia Torpe de quem sofre de amor.   Chove. Um vento singelo e apurado Vai-se recortando por penedos Trazendo-me o cheiro a terra.   Chove. Ouvi-la só, bastava-me.