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A mostrar mensagens de dezembro, 2012

Poema simples III

És um poeta! Anunciou vaidoso   Porém numa chispa de lucidez Devolvi em natural pensamento Se seria a modéstia, talvez Que via na graça um tormento.   Ninguém diz ao ferreiro que o é, Ele sabe por detrás da bigorna. Ninguém clama pelo cavador José, Que fende a preceito a terra madorna.   Poeta não é rasgar as palavras... É senti-las. Tactear o veludo da vida Da epiderme das almas ilécebras, E amar sem destino a dor perdida.   Poeta é chamar a nós a ternura, Sonhar e crer que tudo é real. Desfazer-se em torrentes de amargura, Sofrer como se tudo fosse igual.   És um poeta, repetiu garboso.   Eu então sorri... E respondi: És um mentiroso    

Poema simples II

No silêncio secreto da noite o amor tem mais calor, renasce.   Nos passos denunciados dos amantes o medo tem mais força, treme,   No desabrochar das flores o aroma tem mais encanto, perde-se.   Finalmente quando se acorda, o sonho prende-nos a esperança, vivemos.

Poema simples

Quando te procuro, perco-te.   Quando te desejo, envolvo-te.   Quando te amo, descubro-me.

Quase soneto

Quantas palavras escrevi sem sentido? Que sonhos tive eu que se perderam? As lágrimas salgadas de um vendido São chamas lúgubres que se apagaram   Apetece-me roubar esta face ao mundo Para que possa alimentá-la sozinho Queria sim sentir toda a alma a fundo A raiva, o desespero de um fim maninho   Hoje os meus passos são já diferentes Daqueles que caminhei em tempos São doentios, cobardes e abafados.   Dia após dia os meus gestos quentes, Tornam-se tristes. Agora nos campos Nascem árvores, flores ou cardos.