Em passo de dança
Tamborilava os dedos no volante ao som de Sultans of Swing, dos Dire Straits. Uma música que ele simplesmente adorava e que estava a tocar na Rádio Nostalgia. O trânsito naquela manhã desenhava-se caótico. Filipe experiente e conhecedor logo se lembrou: “Deve ser algum acidente”. E como costumava dizer para si e para os outros, o que não tem solução está solucionado por si, não se preocupou. À sua volta as pessoas dentro dos carros reagiam de forma diversa. Atrás uma senhora que já passara o meio século acabava a sua maquilhagem, aproveitando o espelho do pára-sol. Na sua frente uma carrinha fechada, impedia de ver o quer que fosse para a frente. À esquerda evoluía um passeio e finalmente à direita, uma jovem mulher olhava para ele de forma espantada. E sorria. Assim que a viu, juntou a música aos seus dedos e percebeu que ela reparava naquela sua postura alegre e descontraída, tendo em conta a manhã. O trânsito palmilhou cinco curtíssimos metros. Devagar. Ele voltou a olhar para a j...