Contos Breves - O Nome Pedro - VI
I Em época de sementeiras ou de colheitas homens e mulheres estendiam-se pelos campos, venerando a terra num gesto repetido. Os garotos mais velhos ajudavam a mãe ou o pai, os mais novos ainda brincavam com uma lagartixa matreira, desvendada em cima dum marouço de pedras. É neste ambiente rural de fadigas que vamos conhecer Teodolindo e Maria Otelinda. Ainda na flor da idade e sem filhos, o casal vivia do que a terra, quantas vezes ingrata, lhe oferecia. E tamanha dedicação à lavoura levara já a mulher a queixar-se ao marido: - Ó homem de Deus tu ainda te matas a trabalhar. Não aguentas uma vida assim de canseiras. Tens de arranjar quem te ajude... Realmente o camponês consumia-se em labor. Ainda a madrugada não se vislumbrava no horizonte e era vê-lo já a caminho da horta. E transformava-se o entardecer em noite cerrada quando regressava, enfim, ao lar arrastando as botas sobre o peso da canseira diária. “Um moiro de trabalho” diziam uns, “trabalhador como o pai” comentavam outros. T...